
O presidente Lula voltou a defender o Pix, nesta terça-feira (2), após o anúncio do governo dos Estados Unidos de propor uma investigação comercial contra o Brasil, que pode ter como resultado a aplicação de um novo tarifaço, de 25%, sobre produtos brasileiros. Lula afirmou que a nova taxação foi "articulada por Flávio Bolsonaro" durante visita a Washington na semana passada, mas o senador nega a acusação. O presidente reforçou que o governo brasileiro não vai aceitar essa "intervenção" da Casa Branca:

“Você veja um negócio: o tal do bolsonarista foi aos Estados Unidos... Ele não estava focado e pediu pro Trump intervir no Pix brasileiro. Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar.”
A declaração foi durante visita ao Hospital Municipal Universitário de Rio Verde, em Goiás. Em outra agenda, também nesta terça, na cidade goiana de Catalão, Lula disse que o Pix "assusta" o governo de Donald Trump e chegou a sugerir que o sistema fosse adotado nos Estados Unidos:
“A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as chamadas empresas de cartão de crédito deles, que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso. E o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça, é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e está resolvido o nosso problema.”
Essas manifestações aconteceram um dia após o escritório do representante comercial dos Estados Unidos tornar público relatório sobre uma investigação, iniciada há um ano, contra supostas práticas desleais do Brasil no comércio com o país norte-americano. A acusação de favorecimento ao Pix de forma discriminatória em relação a outros meios de pagamento foi um dos motivos para o anúncio de uma nova tarifa de 25% sobre bens importados do Brasil.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final do escritório do representante comercial dos Estados Unidos até o dia 15 de julho, quando o governo Trump poderá adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.
Em nota, a Febraban, Federação Brasileira de Bancos, defendeu que o Pix "é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica". Para a Febraban, o Pix é "um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras"
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